segunda-feira, 21 de agosto de 2017

JERRY LEWIS (1926-2017)


Vejo-me, de repente, nas tardes do «piolho» a matar aqueles filmes do Jerry com o Dean Martin. Uma maltosa, na plateia, a partir o coco a rir, a arregalar o olho para raparigas insossas mas giras.
Tem filmes imperdíveis e uma interpretação de luxo em o «Rei da Comédia» que faz esquecer por completo o que em tempos dissera:
 «Tive um enorme sucesso fazendo de completo idiota».
O meu mundo tem cada vez menos gente. Gente que me ajudou a viver.

VELHOS RECORTES


Recorte do semanário ultra-salazaeista «Agora».
Não tenho a data da edição mas o ano será o de 1966.
Como é que com este paleio, alguns de nós, lograram prever uma «primavera marcelista»?

UM HORROR PÍFIO


6 de Setembro de 1969

As eleições aproximam-se e a oposição em Lisboa dividiu-se em grupos, como se já estivesse no poder. Um horror pífio.
Embora tentasse conservar-me neutro nesta luta de capoeira sem galos, acabei por tomar posição sem grande entusiasmo… Mas que remédio senão ser português! (Oxalá não esteja a ser pretensiosamente ridículo!)

José Gomes Ferreira em Livro das Insónias Sem Mestre VIII volume dos Dias Comuns.

domingo, 20 de agosto de 2017

POSTAIS SEM SELO


Os ingleses são tolerados na Escócia desde que não atirem com o seu orgulho à cara dos outros.

Dorothy L. Sayers em Qual dos Cinco?

TANTO QUE HÁ POR FAZER"


Até ao dia 18 de Agosto, a GNR já tinha levantado 782 processos de contraordenação por incumprimento da legislação que estabelece o Sistema Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios. São multas por comportamentos negligentes dos donos das terras, como a falta de gestão das faixas combustíveis, as fogueiras ou queimas, ou a falta de limpeza dos terrenos ou da limpeza junto às estradas.

 Mas até ao momento apenas foram pagos 74.040 euros em coimas (65.240,00 euros por singulares e 8.800,00 por empresas)."A maior parte dos proprietários prefere pagar a coima, no valor de 140 euros, do que mandar limpar o terreno, o que custa 500 a mil euros

Os 74 mil euros são uma gota no vasto oceano de danos causados pelos fogos.  

O incêndio de Pedrógão Grande causou 497 milhões de euros em prejuízos totais. O Estado só conseguiu arrecadar um milhão de euros em autos de contraordenação pagos por proprietários de terrenos florestais desde 2014 até agora.

Segundo descreve o Diário de Notícias de hoje, é à GNR que compete "carregar" a estatística das causas dos incêndios para o Sistema de Gestão Florestal.

Até ao dia 2 de agosto, a Guarda tinha investigado as causas de 8122 fogos, concluindo que 40% das ocorrências, ou seja, 3320 incêndios tiveram causas negligentes. Depois houve 1374 fogos que foram causados com dolo ou intenção, 17% do total. Registados ainda 699 fogos, 9% do total, que tiveram origem em reacendimentos e apenas 82, apenas 1%, que surgiram por causas naturais. A destacar, um conjunto apreciável de incêndios com causa desconhecida: 2647, ou seja, 33% do total. «Nestes, em que não foi possível apurar a causa dado o estado do terreno por causa da deflagração, ou por outros motivos, podem ter sido intencionais ou negligentes. A verdade é que em 85% dos casos os incêndios foram causados por intervenção humana. Quanto aos fogos causados por reacendimentos, mostram "que a vigilância pós incêndio não funcionou», segundo um responsável.
Este ano, a Guarda já identificou 700 indivíduos como potenciais incendiários, nas aldeias e zonas rurais do país.

No sábado, na zona de Sintra,um homem de 78 anos foi detido  depois de ter sido apanhado pela GNR em flagrante delito enquanto ateava fogo ao Parque Natural Sintra-Cascais.

Após a detenção, o indivíduo confirmou a autoria do crime, acrescentado que era a quinta vez que tentava atear fogo naquela zona do parque natural. As autoridades encontraram, inclusive, várias provas que o comprometiam, na viatura em que se fazia transportar.

Segundo a GNR, o arguido cometeu ainda um crime de corrupção activa na forma tentada, quando, já detido, tentou ofereceu 230 euros em dinheiro aos elementos da GNR para o libertarem.

Segunda-feira comparece perante um juiz.

OLHAR AS CAPAS



Qual dos Cinco?

Dorothy L. Sayers
Tradução: Almirante Alberto Aprá
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 22
Livros do Brasil, Lisboa s/d

Quem vive em Galloway ou é pintor ou é pescador. Talvez isto não seja rigorosamente assim visto que o pintor, quando não trabalha, passa o tempo a pescar. E quem não faz nem uma coisa nem outra é considerado um excêntrico. O peixe é o assunto de todas as conversas, na loja de bebidas, no correio, na garagem e na rua; e isto aplica-se a todas as pessoas, desde o individuo que aí vai passar a estação e traz canas de pesca e um Rolls-Royce, até aquele que leva uma vida contemplativa e vem ver as redes de salmão em Dezembro. O tempo, que nas outras partes de Inglaterra é avaliado pelas normas do fazendeiro, do jardineiro e do visitante, em Galloway, é avaliado pelo peixe e pela pintura. O pescador-pintor é quem ganha mais com o tempo, porque, se está bom, tem um dilúvio de trutas e os montes e o mar enfeitam-se com cores radiosas; a chuva interrompe a pintura mas enche de água os rios e os lagos, e podem então recorrer à cana de pesca e ao cesto. Quando o tempo está frio e enevoado e não há cor de púrpura nos montes, reúnem-se no bar e conversar e a discutir o modo de dar emprego aos anzóis.

A VONTADE DE BRINCAR, DE RIR, DE ESTAR DESATENTO...


«Ponha-se na rua!» «Não ligam nenhuma ao que a gente diz». Ali está uma solução errada e aqui uma visão, também errada, de um problema que é um caso sério. Em grande parte dos casos, quem devia ir para a rua era eu, era o professor; eles não ligam nenhuma, em grande parte dos casos, porque não pode interessar-lhes o que nós queremos impingir-lhes à força.
(…)
- Afinal vocês não estão a ouvir-me…
- Olha só agora é que deu por isso…
O Artur abriu-me os olhos: talvez quinze estivessem interessados; os outros quinze estavam a pensar noutra coisa. Confesso a minha culpa: fiquei aborrecido; confesso a inteligência da minha solução; terminei imediatamente a lição. Mas eu fiquei provavelmente (pelo menos de momento) aborrecido com eles; e isso é um erro, um gravíssimo erro. Pois de quem foi o pecado senão meu, que julguei que aquilo, naquele momento, poderia interessá-los? Tudo isto é um caso muito sério, como eu disse de princípio; constantemente nos esquecemos de que não temos 14 anos ou calculamos mal os gostos dos rapazinhos de 14 anos. Por outro lado, há dias em que nada poderá fazer deter a sua vontade de brincar, de rir, de estar desatento. Talvez o de ontem fosse um deles…

Sebastião da Gama em Diário

sábado, 19 de agosto de 2017

POSTAIS SEM SELO


Há uma autocensura na vida quotidiana que nos faz civilizados, ninguém diz tudo o que lhe passa pela cabeça.

Pedro Mexia

OLHARES


NINGUÉM ESTENDE A MÃO A NINGUÉM


Rómulo de Carvalho, na Atlântida Editora de Coimbra publicou Guias de Trabalhos Práticos de Química e Física. Entre 1957 a 1974 foram diversas edições, milhares de exemplares. Até 1972 a empresa teve como gerente o Sr. Cravo que manteve sempre as contas em ordem e regularmente pagava o que era devido ao autor. 
Com a saída do Sr. Cravo da editora, as coisas já não foram bem assim e depois do 25 de Abril pioraram.
Uma vez por ano, Rómulo pedia contas.

Cumpri essa obrigação durante sete anos, rigorosamente, até que em 1981 obtive resposta! A carta então recebida trazia trêzs assinaturas, praticamente ilegíveis, e nela os signatários afirmavam a sua boa vontade para resolverem o meu caso, que uma funcionária da editora estava a estudá-lo para apurar as vendas e fazer as devidas contas, e pediam a “melhor compreensão por parte de Vossa Excelência”.
Era uma esperança. E que esperança! Vinte dias passados escreveu-me de novo e, oh! espanto!, mandavam-me as contas relativas às vendas de todas as minhas edições desde o longínquo ano da revolução até ao fim de Junho de 1981. De tudo quanto venderam nesse lapso de tempo estavam a dever-me 142,952$45!
Entretanto esclareciam-me, na dita carta, que “com as actuais dificuldades de tesouraria é praticamente impossível para nós a liquidação desta importância pela totalidade”. E então solicitavam a Vossa Excelência a melhor compreensão para lhes facilitar o pagamento “em pequenas prestações mensais, até ao pagamento integral da dívida”. Ficavam, entretanto, esperando as ordens de Vossa Excelência e assinavam com elevada consideração e estima.
Respondi-lhes que sim, que estava de acordo, e fiquei aguardando os acontecimentos. E assim, aguardando os acontecimentos, se acabou a história. Ponto final. Nunca mais pagaram nada.
(…)
É claro que vocês, meus queridos tetranetos, poderão perguntar por que não recorri a um advogado para obrigar a Atlântida a pagar-me os 142 contos e tal que deviam e nunca me pagaram, e a castigá-los de qualquer modo por terem efectuado edições de livros meus sem eu saber. Sois muito ingénuos, meus queridos tetranetos. Eu arranjava um advogado, a editora arranjava outro e ao fim de uma dúzia de anos, sem nada se resolver eu já tinha gasto mais do que deviam. E também me poderiam perguntar, se vivessem neste meu mundo, por que não recorri à Sociedade Portuguesa, de que sou sócio, e da qual uma das funções é zelar pelos interesses dos associados. Pois sim, meus queridos tetranetos. Já relativamente a um outro caso, passado também comigo, como vos direi, requeri à Sociedade e ficou tudo na mesma. O mundo é um poço sem fundo e eu esbracejo para não me afundar. Ninguém estende a mão a ninguém, a não ser que tenha interesse nisso.

Rómulo de Carvalho em Memórias

Legenda: capa de A História dos Balões, publicado pela Atlântida Editora em 1953. Imagem retirada da net.

OLHAR AS CAPAS


O Homem Que Sabia A Mar

Armando Silva Carvalho
Capa: Miguel Imbiriba
Publicações Dom Quixote, Lisboa Abril de 2001

- É aqui a famosa Casa Cor-de-Rosa?
Fala em francês, mas não parece pedante. Nem parece ter vindo para se sentar no rosto da Europa. E não grita. Apresenta-se.
- Sou Tana Macgrave. Marquei uma reserva há tempo para vir descansar no apocalipse e afinal acabei por vir, mas para trabalhar. João Silvestre não está?
Rebeca pensa um pouco, fixa-a, e depois reconhece o nome. E por cima das lágrimas, ri com uma tal frescura que faz chorar a própria actriz. Ela que só conseguia fazê-lo no palco ou frente às câmaras.
- João Silvestre foi ao mar. Ou antes, anda no mar. – Rebeca fez uma pausa. – Mas, por favor, madame, entre. A Casa Cor-de-Rosa estava à sua espera para se começarem as rodagens. Tem um bonito nome, o filme, Entre este Mundo e o Outro e Amor é Absoluto. Talvez um pouco comprido, não acha?
Foi a vez agora de Tana Macgrave sorrir. E dizer:
- Tem razão, Rebeca. É Rebeca, não é? Mas vai ficar mais curto na versão americana. Eles simplificam tudo. A Europa é que está cada vez mais complicada.
E entraram as duas para a sala e ouviram o mar em estereofonia.
Eu, na minha cadeira de rodas, continuei a pintar.
Mas elas não me vêem, pai Silvestre.
São Vozes.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

POSTAIS SEM SELO


Uma mentira pode dar meia volta ao mundo antes de a verdade ter tempo de calçar os sapatos.

 Mark Twain

OLHARES

DEI TUDO, RECEBI NADA


Carta de Mário-Henrique Leiria, datada de S. Domingos de Rana, 27 de Agosto de 1961, para Maria Isabel.

Aqui continuamos a caminhar no lodo. Espero deixar de caminhar neste lodo no dia 14. Irei com certeza caminhar noutros, mas nesse acredito não chegar ao fim do ano (e peço aos deuses reias do ainda mais real inferno em que vivo que me ajudem nesta crença). Espero e desejo ser eu próprio a brevemente mais um pouco de trampa de adubo, o que com certeza ajudará a crescer algumas couves alimentícias… se for possível que, entre elas, nasça também uma papoila bem vermelha, será uma compensação grande e suficiente…

Mário-Henrique passa a informar Maria Isabel que recebera carta da ex-mulher em que esta, apesar das eventuais súplicas de amor que lhe fizera, exige, mesmo, o divórcio.

Portanto, já não vale a pena desejar que tudo corra bem. O correr bem – ou seja, um rápido divórcio – é apenas o esmagar quase físico daquilo que eu desejava, isto é, tê-la comigo para uma nova vida. Peço-lhe apenas uma coisa, Maria Isabel: creio que nos demos razoavelmente bem no pouco tempo em que nos encontrámos e creio que você acredita um pouco em mim e sabe quanto amei – a amo desesperadamente, como uma maldição do inferno. aquela moça. Logo, peço-lhe que não entre em atritos com o meu advogado. A ele, direi o mesmo, Se fosse possível, eu nem teria advogado, deixava tudo ser feito por si Não quero que a Fipsy fique com qualquer coisa desagradável no processo, Ela feriu-me muito e, nesta última carta, ainda mais (que diabo, um homem pode ter cometido muitas faltas, mas nem todas – e as maiores – foram dele! E, no fundo, há um reles e ordinário coração que, nem por estar totalmente solitário, deixa de sentir e sangrar). Ela feriu e deitou sal na ferida, mas eu continuo a amá-la e não quero, não quero que haja qualquer coisa que lhe possa prejudicar o futuro. Não sei se você compreende esta posição: é quase cristã (afinal nós estamos muito próximo dos cristãos primitivos, tanto no amor, como na fé e na acção). Mas o que é com certeza, é amor como eu o compreendo: dei tudo, recebi nada. Ao fim de muitos anos de sede, pedi água: deram-me um copo de cinzas, mas deixaram-me sentir o sabor da água durante dois anos. Por esses dois anos em que pensei ser amado e ser feliz, quero dar agora o mais que posso.
(…)
É tudo.
Pessoalmente, tenho duas costelas (quase de carneiro) partidas e uma rótula fora do lugar. São as consequências da tal habilidade de trapézio voador (“The darning young man on the flying trapeze”; W. Saroyan. Se não conhece, obrigue-se a conhecer, que não perde nada). Esta habilidade foi forçada pela manobra inesperada de um estimado táxi, conforme lhe disse pelo telefone. Mas continuo de pé, que é como quero morrer. Que diabo, deixei-me um último prazer.

Mário-Henrique Leiria em Depoimentos Escritos

Legenda: imagem Shorpy

OLHAR AS CAPAS



A Colina de Cristal

Baptista-Bastos
Capa: João Segurado
Edições O Jornal, Lisboa, Novembro de 1987

«Antigamente» - Diz ele.
Vai para continuar, Os seus olhos revertem até outras paragens, os pensamentos mergulham no caudal dos anos, os anos têm comprimento, e ele sabe que à medida que os amigos foram morrendo as trevas iam-se acumulando à volta.
Diz:
- Fiz muitas vezes o que era necessário; não o que estava certo.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

SOMOS UMA NAÇÃO DE IMIGRANTES


The Ghost of Tom Joad abordava os efeitos da crescente divisão económica das décadas de 80 e 90, dos tempos difíceis e das consequências sentidas por muitas das pessoas cujo trabalho e sacrifício criaram a América, e cujo esforço é essencial para o nosso dia a dia. Somos uma nação de imigrantes, e ninguém sabe quem são aqueles que passam hoje as nossas fronteiras, pessoas cuja história pode acrescentar uma página importante à história americana. Agora, nos anos iniciais deste século, tal como no virara do último, estamos de novo em guerra com os nossos «novos americanos», Tal como no anterior, as pessoas chegarão, passarão por dificuldades e preconceitos, combaterão as forças mais reacionárias e os corações mais empedernidos do seu lar adotivo e provarão ser resistentes e vencedoras.
Eu sabia que The Ghost of Tom Joad não atrairia o grosso do meu público. No entanto, estava certo de que as canções que dele constavam vinham conformar novamente o melhor que sou capaz de fazer. O álbum trazia algo de novo, mas fazia também uma referência às coisas que eu tentara defender e que ainda desejava ter como meus cavalos de batalha enquanto compositor.


Bruce Springsteen em Born to Run

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Hugo Correia Pardal foi, durante mais de quatro décadas, um dos mais importantes pedagogos do Reformatório de S. Fiel. onde desenvolveu uma obra ímpar de formação profissional de jovens desamparados,  com problemas familiares ou de integração social.

Do jornal Reconquista de Castelo Branco:

«Com 73 anos de idade, faleceu no dia 1 de Abril de 1976, o assíduo e estimado colaborador de Reconquista, de longa data, Hugo Correia Pardal. Uma das suas últimas sugestivas crónicas, a intitulava ele - como uma premonição - «São horas .. .» Era a evocação de um sincopado diálogo de dois velhos que, diariamente, no banco do jardim dos reformados se encontravam: «cá estamos'» ... e se despediam, «são horas .. .», até que um dia o duo se desfez. Um dos velhotes jamais voltaria. Em vão o companheiro o esperava. 'Não estranhou, contudo. É que os velhotes têm sempre consigo - assim terminava a sua crónica - a outra companhia que se lhes entremostra na presença de uma sombra em cada hora a seu lado mais íntimo e familiar. Por isso também ele não voltou, e Deus sabe porque abalando disse pela última vez, só para si e para mais nínguém: - «São horas.»

Na edição do Jornal do Fundão de 12 de Abril de 1997, o leitor António Alves Ribeiro recordava:

«Hugo Correia Pardal foi um grande poeta, professor e pedagogo! A sua poesia ou prosa, escritas sempre com tinta roxa e com aparos dos antigos, eram mensagens tão simples e significativas que mais pareciam a cartilha da verdade.»

A TRAGÉDIA DOS INCÊNDIOS


Portugal é o país da União Europeia com mais área ardida neste ano: 139.586 hectares. Quase um terço do total da área ardida nos 28 países da União Europeia: mais de 380 mil hectares.

Um novo máximo de incêndios foi registado no sábado, com 268 ocorrências, que mobilizaram 6.553 operacionais, resultado, para além de outros problemas, de décadas e décadas de desordenamento das florestas. 

A Polícia Judiciária comunicou a detenção de 60 pessoas pelo crime de incêndio florestal até ao dia de ontem, o dobro dos detidos que havia no período homólogo de 2016

Loucos da aldeia a quem deram dinheiro para provocara incêndios,  vinganças, tarados que gostam de olhar o espectáculo das chamas, gente descuidada, de tudo podemos encontrar na génese dos incêndios que assolam o País.


A imagem mostra o incêndio que, na terça-feira, destruiu o antigo Reformatório de S. Fiel, em Louriçal do Campo, Serra da Gardunha.

OLHAR AS CAPAS


Do Livro dos Salmos

Mário Castrim
Capa e Desenhos Rogério Ribeiro
Campo das Letras, Porto, Outubro de 2007

Todos à festa!

Vibra a lira, as harpas, os metais,
Tocai trombetas pela Lua Nova!

Pesados fardos sobre os vossos ombros
demasiado já foi. Pesados cestos
de areia e pedra andastes carregando
a levantar o corpo da pirâmide.
Hoje, vibrai as harpas, os metais.

Todos à festa!

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

POSTAIS SEM SELO


E alguém escreveu: saber que um livro novo nos espera em casa para ser lido, é dos melhores sentimentos!

Autor desconhecido

Legenda: Marilyn Monroe

40 ANOS


Quarenta anos sem o Rei.
Lido hoje no Diário de Notícias:

Desde 1977 até hoje, foram publicadas 94 compilações discográficas de Presley. O que permite dizer que, 40 anos depois de falecer, ele ainda figura entre os artistas musicais mais rentáveis do mundo. 


ESCOLHAS


À partida, tanto quanto posso recuar no tempo, a questão política está antes de começar a escrever. Ainda no liceu, quando fazíamos escolhas para jogar futebol, já fazíamos escolhas políticas. Eu lembro-me que só tive três colegas negros em cento e tal alunos. Mesmo assim quando fazíamos as escolhas para jogar pequenos jogos de futebol, ficávamos juntos, de um modo geral, por exemplo, Gentil Viana, Iko Carreira, na mesma equipa e os outros ficavam noutra equipa. Era uma escolha. Não percebo como, porque é aquela escolha em que se põe um pé à frente do outro, até que quem pisa escolhe primeiro… No fim dávamos conta que eram quase sempre os mesmos na «nossa» equipa. Numa dada altura, com 15/16 anos, houve um clivagem entre os que, na Mocidade portuguesa, escolheram ir para a milícia, para a parte mais militarizada, e os que escolheram ir para os desportos náuticos. E aí nós dividimo-nos. Depois fui-me dando conta da realidade com a leitura dos russos: Gorki, Turguêniev, Techkhov, Dostoievski… só depois Tolstoi… o melhor veio pela literatura.

José Luandino Vieira em Os Papéis da Prisão

OLHAR AS CAPAS


A Janela Alta

Raymond Chandler
Tradução: Almeida campos
Capa: Lima de Freitas
Colecção Vampiro nº 155
Livros do Brasil, Lisboa s/d

Eram duas horas quando regressei a Hollywood, arrumei o carro e subi as escadas até ao meu apartamento. O vento cessara completamente, mas na atmosfera havia a secura e a leveza do deserto. O ar no apartamento estava pesado e a ponta do charuto de Breeze tornara-o um pouco pior que pesado. Abri as janelas e deixei arejar a casa enquanto me despia e despejava as algibeiras do fato. Delas, entre outras coisas, saiu a factura de fornecimentos de artigos para dentistas. Continuava a ser uma factura passada em nome de um certo H. R. Teager para 15 kg de cristobolite e 12 kg de albastone
Pus a lista telefónica em cima da mesa da sala de estar e procurei nela o nome Teager. Depois a memória confusa transformou-se em imagem real. O endereço dele era 422 Wet Ninth Street. H.R. Teager, Laboratório Dentário, fora um dos nomes que eu tinha lido nas portas dos escritórios do sexto andar do Edifício Belfont quando havia descido as escadas de incêndio depois de ter descoberto o cadáver de Elisha Morningstar.

No entanto, toda a gente tem que dormir e Marlowe estava absolutamente necessitado disso. Fui para a cama.