domingo, 1 de julho de 2012

BOLAS PR'O PINHAL!


Termina hoje o Euro 2012.

Será esta a última bola pr’o pinhal.

Daqui a dois anos será o Mundial do Brasil e, então, voltaremos aos pontapés.

Nesta 1ª página do Correio da Manhã, publicada durante o Euro, há um título a reter:


Craques matam tempo a jogar póquer.

O jogador de futebol, e não apenas os tugas, para além dos seus atributos e habilidade para o jogo, não têm quaisquer interesses de ordem cultural.

Nisso não diferem da enorme percentagem dos outros portugueses.

Os seus interesses deslocam-se para o supérfluo e, com os bolsos cheios de dinheiro, realizam-se a comprar carros de alto topo de gama.

Cada um faz do dinheiro que ganha aquilo que muito bem lhe apetecer, mas o que aqui me trás é o vazio que ressalta nos dias de estágio, no tempo em que não se encontram a treinar, ou a jogar.

É um problema que já vem de muito longe e que, ao longo dos anos, ninguém deu a devida atenção.

Em 1965, Portugal, participou, na Alemanha, num Torneio Internacional de Futebol, designação que se dava ao que hoje são os campeonatos das diversas categorias futebolísticas.

Numa publicação do Ministério da Educação Nacional (Abril/Junho 1965) fazia-se um apanhado de diversos artigos publicados na imprensa sobre o torneio.
Respigo estas palavras do jornalista Francisco Camilo:



Em Junho de 1972, Portugal, durante um mês, participou no Brasil numa Mini Copa, realizada para comemorar um aniversário da Confederação Brasileira de Desportos.

Numa entrevista ao jornal A Capital, 24 de Junho de 1972, Artur Jorge, então jogador do Benfica, manifestava-se farto de tanto estágio:

Isto é uma grande “chatice”. Comemos, dormimos e andamos, por aqui, todo o dia e toda a noite, sem ter nada que fazer.

Ficaram para a história os estágios dos jogadores do Inter, então treinados por Helenio Herrera, conhecido por “o mago”.

A actividade sexual descomedida é a mais prejudicial para um atleta e eu procuro o bem desses rapazes, detendo-os, porque deste modo aumento a duração da sua carreira, e, por conseguinte, asseguro-lhes muito mais dinheiro para o futuro e muitas outras satisfações. As esposas podem compreender ou não; mas eu não quero correr riscos de espécie alguma. Assim, instituí os “retiros” da vida conjugal, numa vida sã e perfeitamente conforme com a profissão de futebolista.

As mulheres dos jogadores eram conhecidas, por as “viúvas” do Inter” e curioso é este desabafo:

O mais interessante disto tudo é que o meu marido dá-lhe razão.

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