sábado, 1 de outubro de 2016

PANCADAS DE MOLIÉRE


A demolição do Cine-Teatro Monumental, a ocupação do Cinema Império por  uma seita, dita religiosa, são dois crimes que marcam a vida de Lisboa.

O CinemaImpério tinha uma capacidade para 908 espectadores na plateia e 1418 espectadores nos seus dois balcões.

A sala do Estúdio tinha uma capacidade para 250 espectadores.

Para além das fitas e espectáculos de music-hall, Cliff Richard e os Shadows por ali actuaram, e não só, de 1961 a 1965 albergou uma das mais importantes experiências teatrais de antes do 25 de Abril : o Teatro Moderno de Lisboa, fundado por um grupo de actores de que faziam parte Carmen Dolores, Fernando Gusmão e Rogério Paulo.

O Teatro Moderno de Lisboa estreou em 13 de Novembro de 1961, com a peça de Carlos Muñiz “O Tinteiro”, encenação de Rogério Paulo, peça que em Abril de 1962 representou Portugal no Festival Internacional de Le Theatre de Lutece em Paris.

Dada a programação cinematográfica do Império, apenas foi possível enconrtar disponíveis as sessões das 18,30 horas às segundas, terças, quintas e sextas, para além de uma sessão nas manhãs de domingo.


Segundo José Carlos Alvarez de José Carlos Alvarez, o Teatro Moderno de Lisboa, foi responsável pela formação de um novo público e de um novo gosto teatral, num tempo de grande agitação social e política.

Por motivos referidos na História Breve do Teatro Moderno de Lisboa, atrás reproduzida, os seus responsáveis resolveram interromper a actividade da companhia na época de 1963-64.

Receou-se que seria o fim do Teatro Moderno de Lisboa mas, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, ainda houve a possibilidade de fazerem a temporada de 1964-65, em que tiveram a oportunidade de representar O Render dos Heróis, peça de José Cardoso Pires.

Reproduz-se a seguir um texto de João Antunes Tunes, que deveria ser publicado no Diário de Lisboa-Juvenil caso a Comissão de Censura salazarista não lhe tivesse colocado a indicação de CORTADO.

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