quarta-feira, 20 de setembro de 2017

PROJECTO DE SUCESSÃO


Para o Mário Henrique

Continuar aos saltos até ultrapassar a Lua
continuar deitado até se destruir a cama
permanecer de pé até a polícia vir
permanecer sentado até que o pai morra.

Arrancar os cabelos e não morrer numa rua solitária
amar continuamente a posição vertical
e continuamente fazer ângulos rectos.

Gritar da janela até que a vizinha ponha as mamas de fora
pôr-se nú em casa até a escultora dar o sexo
fazer gestos no café até espantar a clientela
pregar sustos nas esquinas até que uma velhinha caia
contar histórias obscenas uma noite em família
narrar um crime perfeito a um adolescente loiro
beber um copo de leite e misturar-lhe nitro-glicerina
deixar fumar um cigarro só até meio. 

Abrirem-se covas e esquecerem-se os dias
beber-se por um copo de oiro e sonharem-se Índias. 

António Maria Lisboa

Legenda: poema de António Maria Lisboa encontrado no espaço do Legado de Mário Henrique Leiria

A LUZ DA ETERNA FACE



Meditai nos vossos leitos.

Em silêncio.

Quem
afinal
nos dá
felicidade?

A luz da eterna face
traz ao meu coração
mais alegria
do que abundantemente o pão e o vinho.

Deito-me e adormeço.

Mário Castrim em O Livro dos Salmos

Legenda: não foi possível identificar o autor/origem da fotografia.

OLHAR AS CAPAS


O Desconhecido do Norte Expresso

Patrícia Highsmith
Tradução: Elisa Lopes Ribeiro
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 70
Livros do Brasil, Lisboa s/d

- Leste isto tudo?
- Tudo, não. Quantos copos bebeste esta manhã?
- Um.
- Cheiras a dois.
- De acordo. Bebi dois.
- Escuta, querido, tens que deixar de beber de manhã. É o pior que há. Passei a minha vida a ver alcoólicos…
- Alcoólicos é uma palavra desagradável – atalhou ele, passando pelo quarto. – Sinto-me melhor, desde que bebo um pouco mais. Tu própria disseste que me achas mais alegre e com mais apetite. O whisky é uma bebida sã. Não sou só eu a ter esta opinião.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

POSTAIS SEM SELO


O que me resta é regressar à vida, amá-la delicadamente, como os mortos – se os mortos pudessem reviver.

José Fernandes Fafe

PODE ESTAR DEBAIXO DOS NOSSOS PÉS


O quarto tinha uma cama de dossel confortável e uma mesa antiga – o resto, mobiliário de estilo rústico e uma cozinha pequena equipada. Mas não comemos lá. Deitei-me, ouvi os grilos e os animais pela janela, na escuridão fantasmagórica. Gostei da noite, as coisas crescem à noites. À noite a minha fica ao meu dispor. Todas as minhas ideias preconcebidas das coisas desaparecem. Às vezes anda-se à procura do paraíso nos sítios errados. Às vezes pode estar debaixo dos nossos pés. Ou na nossa cama.

Bob Dylan em Crónicas

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A ANTÓNIO SÉRGIO

em quem admiro
- para além de algumas discordâncias e desencontros -
a indelével acção pedagógica,
a claridade intelectual
e o heróico exemplo,

dedico este livro.

(Dedicatória em Dicionário Crítico de Algumas Ideias e Palavras Correntes de António José Saraiva).

OLHAR AS CAPAS


Dicionário Crítico de Algumas Ideias e Palavras Correntes

António José Saraiva
Capa: António Domingues
Colecção Estudos e Documentos
Publicações Europa-América, Lisboa, Dezembro de 1960

Quando os adultos respondem ao inconformismo da juventude repetindo os ensinamentos teóricos que ela sabe melhor do que eles (pois que é justamente em nome desses ensinamentos e para salvaguardar a sua pureza que ela se levanta), colocam-se, evidentemente, numa posição absurda e risível. E quando, pelo contrário, argumentam com as necessidades e limitações na prática, criam uma situação trágica porque estão desmentindo tudo quanto ensinaram. O diálogo entre a juventude e os adultos só teria sentido se uns e outros colaborassem na transformação da realidade social de modo que esta deixe de ser a negação das virtualidades e promessas do jovem. Mas justamente encontramo-nos numa sociedade que condena o jovem a assassinar a sua utopia antes de aceder aos postos onde deveria realizá-la, com ela enterrando a sua própria juventude. O diálogo não é possível, em condições normais, nesse mundo em que os adultos são cadáveres de jovens.

VELHOS RECORTES



O recorte com o título de uma entrevista de Francisco Vale ao Diário de Notícias não é tão velho quanto isso: é de 9 de Agosto.


Velho, nem sequer encontrei a data do jornal, é este recorte de um percurso que o quinzenário JL, um dia, fez de Francisco Vale.

A Relógio d’Água é uma das boas editoras portuguesas que não estão metidas nos grandes grupos editoriais.

Francisco Vale é um homem dos livros que sabe muito bem do que fala.

«A edição de livros é por natureza uma indústria artesanal, descentralizada, improvisada e pessoal; realizam-na melhor pequenos grupos de pessoas com ideias afins, consagrados à sua rate, ciosas da sua autonomia, sensíveis às necessidades dos escritores e aos diversos interesses dos leitores.»

Japson Epstein, co-fundador da The New York Review of Books, citado por Francisco Vale em Autores, Editores e Leitores.

Será polémica a opinião que tem sobre o escritor-pivot-televisivo, mas tem a sua boa dose de razão.

Guilherme de Azevedo, editor da Gradiva, não gostou da opinião e respondeu a Francisco Vale nas colunas do Diário de Notícias. Não mostrou unhas para tocar tal guitarra – há damas difíceis de defender… – e enredou-se em coisinhas marginais.

Francisco Vale respondeu-lhe mas teve o cuidado de avisar os leitores:

«Nota final: à medida que escrevi este texto, fui tendo a desagradável sensação de que não pode ser esclarecedora a discussão com alguém em tão avançado estado de megalomania como GV. Por isso não voltarei a responder-lhe, confiando na inteligência dos leitores.»

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

POSTAIS SEM SELO


Os meus livros são uma questão de ritmo, que tem muito a ver com a música.
Parece que todas as pessoas morrem com música na cabeça, ouvi dizer um dia. Quando tudo já é distante – espírito, ser, recordação -, fica ainda a música. E quando o ser humano está clinicamente morto, e isto também está provado, ainda existe a música dentro dele.

NOTÍCIAS DO CIRCO


Logo a seguir ao 25 de Abril apareceu a um filme marado que dava pelo nome: «Você interessa-se pela coisa.»
O interessar-se pelo que quer que seja, é o busílis dos quotidianos do homem.
Se a cada um interessar o futuro do país, da sua cidade, da sua aldeia, não será um qualquer jogo de futebol que impedirá que exerça o seu direito de voto.
Umas cabecinhas pensadoras do governo do Partido Socialista, volta e meia, põem cá fora umas ideias que não lembram, para citar Marcelo, ao careca.
Chatearam-se que a liga de futebol programe jogos para o dia de eleições e, para o futuro, irão legislar de acordo.
Vão também impedir que o cidadão, em dia de eleições, vá à praia, ao cinema, ao teatro, ao jardim, ao centro comercial, ao café?
Portem-se bem e esqueçam o disparate.
Porque, quando nos interessamos pela coisa, não há nada que faça impedir esse interesse.

HARRY DEAN STANTON (1926-2017)


Meia centena de dias depois de Sam Shepard foi a vez de Harry Dean Stanton nos ter deixado.
Esteve aqui, há dias por causa desse extraordinário Paris Texas.
Contava 91 anos.
Com apurada formação musical teve uma carreira cinematográfica em que, qualquer papel, fosse secundário ou principal, o levava a brilhantes interpretações.


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CARTA DE VITOR SILVA TAVARES

22.7.09

                                                     Caro Paulo

Disseste-me que o teu livro não é aquilo a que se pode chamar “um livro de memórias”. Em rigor em rigor, acho que é e não é. Não é, por certo, um livro “jornalístico” (o autor vai ali ao calendário da sua vida e dá notícia) mas é sim senhor, quanto a mim, um mergulho visceral – entenda-se, visceralmente poético, logo interventivo – naquele magma de impressões redivivas, experiências e encontros determinantes, obsessões e traumas que musculam mais que uma vocação – aliás, afirmada . um sentido de e para a vida (pelena).
Encaixa o que tem de encaixar, rejeita o que afinal não passou de acidentes de percurso, necessários embora.
O teu livro, até na sua formulação linguística, nada funcionária, funde-se no complexo da tua obra poética. Não ilumina, não revela, não toca e foge – faz parte.
Surpresa propriamente dita, não a tive. Mas foi-me grato o reencontro com a persona.
                                                        
                                                      Um abraço do teu
                                                                                   VST


Legenda: Paulo da Costa Domingos, Vitor Silva Tavares e Jorge Fallorca na Brasileira do Chiado, Janeiro 2009

OLHAR AS CAPAS


Narrativa

Paulo da Costa Domingos
Carta-Prefácio de Vitor Silva Tavares
Desenho da capa a grafite de Vitor Silva Tavares
Alambique, Lisboa, Maio de 2016

Não esqueço.
Aqueles a quem roubaram o sorriso. Portugal é isto: uma fila de velhos muito pobres, verdade e fingimento, à porta de um dispensário, num coro constante de tosses; também ramela. Queixumes e câmbios de mazelas e, no fundo, ninguém quer que lhe tirem as doenças. Nada mais possuem. Depois como era!!?... E há os intelectuais: os intelectuais têm muita graça.

domingo, 17 de setembro de 2017

POSTAIS SEM SELO




A franqueza entre amigos, é como o sol quente depois da chuva. A amizade aumenta.

Earl Derr Biggers em O Camelo Preto

Legenda: imagem de Tiffany Guarch

À LUZ DE CANDEEIROS


Largo da Luz.

NOTÍCIAS DO CIRCO


Cada ano lectivo que começa, traz-mos o espectáculo miserável e degradante das praxes.

Este ano, foi distribuído, na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, um panfleto nojento a que aquelas cabeças chamaram Manual de Sobrevivência do Caloiro e onde se pode ler:

«O caloiro é incondicionalmente servil, obediente e resignado. Não é um ser racional. A espécie em questão não goza de qualquer direito, salvo o da existência (até por vezes questionável). O caloiro é assexuado. Deve ser sempre moderado no uso da palavra (zurra, grunhe, bale e relincha só quando lhe é dada permissão). Não é permitido pensar, opinar, gesticular, buzinar, abanar as orelhas ou pôr-se em equilíbrio nas patas anteriores.»

Isto não pode estar a acontecer sem que exista uma intervenção da autoridade universitária e da polícia.

As praxes não podem ter lugar nas escolas e universidades, e se saltam para a rua terão que ser impedidas pela polícia.

Sim, isto é um caso de polícia!

Que raio de futuro está a ser construído com este tipo de gente?!

UMA VERDADE QUE É UNIVERSAL


 A terra ensina-nos muito mais sobre nós do que todos os livros. Porque nos resiste. O homem descobre-se quando se mede com o obstáculo. No entanto, para o atingir, necessita de uma ferramenta. Precisa de uma plaina ou de uma charrua. Na sua lavra, o camponês vai, pouco a pouco, arrancando alguns segredos à natureza, extraindo uma verdade que é universal.

Antoine Saint-Exupéry em A Terra dos Homens

Legenda: não foi possível identificar o autor/origem da fotografia.

OLHAR AS CAPAS


O Camelo Preto

Earl Derr Biggers
Tradução: Alfredo Ferreira
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 49
Livros do Brasil, Lisboa s/d

- O homem que olha para o passado vê os seus erros acumulados – sentenciou Chan
- Mas nunca pensei que Ana fosse perder assim a cabeça. Estas mulheres, inspector…
- São criaturas primitivas, as mulheres.
- Assim parece. Ana sempre foi uma criatura estranha, silenciosa, esquiva. Mas havia um laço entre nós: ambos gostávamos de Denny. Quando ela provou, ontem à noite, que o amava tanto… Bem; não pude resolver-me a traí-la. Preferi entrar em duelo com o senhor. Lutei até ao limite da minha habilidade, e perdi.
Estendeu a mão. Chan apertou-lha.
- Só os mesquinhos são implacáveis na vitória – disse ele.

A JORGE DE SENA, NO CHÃO DA CALIFÓRNIA


No dia 25 de Março de 1976 sofre um enfarte de miocárdio.
Ainda vem a Portugal entre 3 e 17 de Maio e de 3 a 20 de Junho de 1977. Neste segundo período, esteve em Coimbra, a 7, na Guarda entre 10 e 11 para as comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidade Portugueses, em que discursou, e no Porto, entre 15 e 17 de Junho.
Jorge de Sena adoece, gravemente, no início de 1978, com cancro., vindo a falecer no dia 4 de Junho.

Carta de Eugénio de Andrade, datada de 5 de Ju8nho de 1978, enviada a Mécia de Sena:

Querida Mécia:

Aqui me tem, quase sem palavras, só para um abraço emocional, e não só pela perda do Jorge – um dos raros portugueses universais do nosso tempo, que nos morre, como já tive ocasião publicamente – mas também por si.
Disponha de mim para o que necessitar e, quando tiver ocasião, diga-me se o Jorge ainda recebeu a minha última carta quando soube da gravidade da sua doença, pois depois de a ter metido no correio verifiquei que não indiquei o número que se segue a Califórnia.
Grande abraço do seu, afectuosamente

                                                                           Eugénio de Andrade

Carta de Eugénio de Andrade, datada de 9 de Outubro de 1978, para Mécia de Sena:

Querida Mécia:

Aqui vai o poema sobre o Jorge. Quero que V. seja dos primeiros leitores destes versos.
Junte-lhe as saudades e um grande abraço


A JORGE DE SENA, NO CHÃO DA CALIFÓRNIA

É por orgulho que já não sobes
as escadas? Terás adivinhado
que não gostei desse ajuste de contas
que foi a tua agonia?
É só por isso que não vieste
este verão bater-me à porta?
Não sabes já
que entre mim e ti
há só a noite e nunca haverá morte?

Não te faltou orgulho, eu sei;
orgulho de ergueres dia a dia
com mãos trementes
a vida à tua altura
-mas a outra face quem a suspeitou?
Quem amou em ti
o rapazito frágil, inseguro,
a irmã gentil que não tivemos?

Escreveste como o sangue canta:
de-ses-pe-ra-da-men-te.
e mostraste como não é fácil
neste país exíguo ser-se breve.
Talvez o tempo te faltasse
para pesar com mão feliz o ar
onde sobrou
um juvenil ardor até ao fim.

No que nos deixaste há de tudo,
desde o copo de água fresca
ao uivo de lobos acossados.
Há quem prefira ler-te os versos,
outros a prosa, alguns ainda
preferem o que sobre a liberdade
de ser homem
foste deixando por aí
em prosa ou verso, e tangível
brilha
onde antes parecia morta.

Às vezes orgulhavas-te
de ter, em vez de uma, duas pátrias;
pobre de ti: não tiveste nenhuma;
ou tiveste apenas essa
que te roía o coração
fiel às palavras da tribo.

Andaste por muito lado a ver se o mundo
era maior que tu - concluíste que não.
Tiveste mulher e filhos portugueses
repartidos pela terra,
e alguns amigos,
entre os quais me conto.
E se conta o vento.

                                                                             Agosto de 1978
                                                                    Eugénio de Andrade

sábado, 16 de setembro de 2017

POSTAIS SEM SELO


Continuo lucidamente bêbedo, como de costume. Sabes que a felicidade é, afinal, uma coisa simples? Resume-se em conseguir não ter dores durante cinco minutos... só cinco, já bastam.

Mário-Henrique Leiria

Legenda: Claridade dada pelo tempo, de Mário-Henrique Leiria.

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"Eu compro isto tudo", disse Manuel de Brito, fundador da Galeria 111 e um dos maiores coleccionadores de arte portuguesa do século XX - que é cerne da actividade do centro de arte com o seu nome, no Palácio Anjos, em Algés - quando chegou à porta da casa de Mário- -Henrique Leiria, para onde correu depois de o amigo Carlos Lobo da Cunha o ter avisado que os seus herdeiros estavam a deitar fora tudo o ele que deixou, ao morrer prematuramente, aos 57 anos, em 1980.
Quem nos conta a história é a viúva de Manuel, Maria Arlete Alves da Silva, a propósito da inauguração de O Legado de Mário Henrique Leiria, marcada para quinta-feira, dia 30: "De repente, na minha garagem, estava toda a casa dele - as arcas com trabalhos, os móveis, as travessas e os pratos, três ou quatro mil livros, milhares de revistas e jornais, a correspondência, os quadros, os manifestos surrealistas, os discos, os filmes e as máquinas de filmar, as pastas com desenhos, as peças de barro e cobre, catálogos das exposições e móveis, alguns insólitos, outros desenhados por ele... Parecia que nunca mais acabava."

Rita Bertrand na revista Sábado, Março de 2017

Legenda: Mecanismo da Revolução, 1948, colagem sobre papel de Mário-Henrique Leiria, tirado do catálogo do Legado de Mário Henrique Leiria

OLHAR AS CAPAS



O Legado Mário Henrique Leiria na Colecção Manuel de Brito

Coordenação do catálogo: Maria Arlete Alves da Silva
Texto: António Gonçalves
Capa: imagem da Exposição Surrealista de Lisboa, Janeiro de 1949
Paginação e Arte final: Susana Ferreira
Edição da Câmara Municipal de Oeiras, Fevereiro de 2017


O exemplo prático ao qual temos acesso nesta exposição refere-se à aquisição que Manuel de Brito fez aos familiares de Mário Henrique Leiria, que, após a sua morte, se quiseram desfazer de todo o núcleo de “coisas” que lhe pertenciam. Este  núcleo de “coisas” eram todos os pertence de Mário Henrique Leiria, onde se encontravam obras de sua autoria e de seus pares: manuscritos, entre os quais se encontra a sua correspondência, a sua biblioteca, os seus objetos pessoais, os seus filmes, as suas revistas, alguns móveis e memórias da infância. Ao tomar esta decisão Manuele de Brito vem salvar a memória de um dos nomes relevantes no contexto do surealismoa e da arte nacional – Mário Henrique Leiria.

ESTALOU-LHE A CASTANHA NA BOCA



 23 de Setembro de 1969

Na lista que a União Nacional apresentou no Porto, a Aparece o nome da Agustina Bessa Luís – que nunca me enganou, aliás.
Grande escritora, sem dúvida, embora aproveite tudo o que é fácil para ser uma grande escritora. (Fácil para mim é o lixo da angústia, a diminuição sistemática do homem através de palavras ambíguas, etc.)
Fascista sempre ela foi. Por cálculo conformista, misturado quase paradoxalmente com exibicionismo e retórica. Serve-se das palavras co mo de máscaras.

                                                                     *
Outo nome: o filho de Leonardo Coimbra…
Custa-me a compreender que esse homem, filho do Leonardo, aprove o actual regime da PIDE, a violência para defender os interesses dos Grandes Capitalistas, etc.
As estranhas coisas a que tenho assistido!
Até à traição das árvores às raízes!

24 de Setembro de 1969

Afinal a Agustina Bessa Luís não pode concorrer porque não está recenseada.
O Carlos que encontrei no Monte Carlo:
- Ainda bem! A tipa queria vir passar todos os anos, seis meses a Lisboa e, ainda por cima, receber dinheiro…
Estalou-lhe a castanha na boca.


José Gomes Ferreira em Livro das Insónias Sem Mestre VIII volume dos Dias Comuns.

OLHARES


Não me canso de olhar a passagem do «28» na Rua da Graça.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

POSTAIS SEM SELO


O homem só pode completar-se com os outros. O homem só pode completar-se pela solidariedade. O século vinte orgulha-se da maior descoberta da história humana, que tão humildemente assino: a solidariedade.

Fiama Hasse Pais Brandão em Os Chapéus de Chuva

SARAMAGUEANDO



«Aqui o mar acaba e a terra principia.»



Aqui, onde o mar se acabou e a terra espera.»

NOTÍCIAS DO CIRCO

De Gaulle um dia referiu uma «uma Europa do Atlântico aos Urais.»
Jean-Claude Juncker, ou alguém por ele, fala agora de «uma Europa de Vigo, em Espanha, a Varna, na Bulgária.»
Parafraseando Vergílio Ferreira;

OLHAR AS CAPAS



Conta-Corrente
3
1980-1981

Vergílio Ferreira
Bertrand Editora, Lisboa, Dezembro de 1990

22 de Julho de 1980

Somos um povo de analfabetos. Destes há alguns que não sabem ler.

QUANDO A COISA ESTÁ TORTA


Desde Setúbal que penso cá para mim que falar com os pais só para lhes dizer, quando isso é verdade, que os filhos vão na ponta da unha. Ficam eles felizes e fico eu. Agora, quando a coisa está torta, o negócio trata-se entre o professor e o aluno. Assim é que o professor é o amigo – e é raro o aluno não querer escutá-lo. Da outra maneira, o professor passa a ser olhado como «queixinhas», o causador de uma bofetada, de uma reprimenda, quantas vezes violentíssima.

Sebastião da Gama em Diário

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

POSTAIS SEM SELO


O ministro do interior não disse que a mulher do médico fosse culpada, Senhor comissário, eu não passo de um inspector de polícia que talvez não chegue nunca a comissário, mas aprendi de experiência deste ofício que as meias palavras existem para dizer o que as inteiras não podem.

José Saramago em Ensaio Sobre a Lucidez

Legenda: pintura de Rafal Olbinski

DE ACORDO COM A MINHA FILOSOFIA PESSOAL


Além de professor metodólogo, como adiante vos direi, e de director da biblioteca do liceu, ainda podia ter exercido, no Pedro Nunes, um outro cargo, e mais elevado que era possível ocupar na escola: o de reitor. De facto, quando Dias Agudo se aposentou, de imediato o Ministério procurou quem o substituísse na reitoria. Eu fui contactado para o efeito mas recusei o convite, sem hesitação, de acordo com a minha filosofia pessoal de nunca aceitar cargos de cujos projectos não fosse eu próprio o executante. Poderia aceitar o convite para ser empregado da limpeza do liceu, mas para reitor, não. Limparia muito bem o que tinha a limpar porque isso só dependeria de mim.

Rómulo de Carvalho em Memórias

Legenda. Liceu Pedro Nunes, fotografia do arquivo da Câmara Municipal de Lisboa

OLHAR AS CAPAS


O Mar

John Banville
Tradução: Teresa Curvelo
Asa Editores, Porto, Junho de 2006

Pronunciei o nome dela mas limitou-se a fechar os olhos por breves instantes, indiferente, como se eu devesse saber que já não era Anna, que já não era ninguém, e depois voltou a abri-los e a olhar-me com uma expressão mais dura do que nunca, agora já não de surpresa mas com uma severidade imperiosa, querendo que eu ouvisse e entendesse, o que tinha para dizer. Largou-me o pulso e os dedos tactearam a cama à procura de qualquer coisa. Peguei-lhe na mão. Sentia-lhe o pulsar do sangue na base do polegar. Disse-lhe qualquer coisa, qualquer coisa insensata como Não partas ou Fica comigo, mas mais uma vez abanou a cabeça com o mesmo gesto impaciente e puxou-me a mão para me aproximar mais.
- Eles estão a parar os relógios - balbuciou, num sussurro quase inaudível, conspirativo. – Eu parei o tempo. – E esboçou um aceno de cabeça solene e consciente e sorriu também, juraria que era um sorriso.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

POSTAIS SEM SELO



Que raio há dentro de um livro, isso gostava que me dissessem.

Alexandre Pinheiro Torres em Sou Toda Sua Meu Guapo Cavaleiro.

Legenda: pintura de Vieira da Silva

OLHAR AS CAPAS


Um Crime no Expresso do Oriente

Agatha Christie
Tradução: Gentil Marques
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 13
Livros do Brasil, Lisboa s/d

- Fui ameaçado, senhor Poirot. Sou um homem que precisa tomar precauções.
Assim dizendo, o velho tirou do bolso um revólver automático; depois continuou:
- Não sou homem que se deixe apanhar facilmente! Com esta arma, sinto-me mais seguro. Creio que o senhor é a pessoa de que preciso, senhor Poirot. E lembre-se: dinheiro!... Muito dinheiro!
O belga encarou-o um instante, pensativo, com a fisionomia absolutamente impenetrável. Seria difícil adivinhar-lhe os pensamentos.
- Lamento – disse afinal. – Não o posso servir, senhor Ratchett.
Este fitou-o com uma expressão de astúcia.
- Que preço pede?
Poirot meneou a cabeça.
- Não me entendeu. Fui muito feliz na minha profissão. Ganhei o dinheiro preciso para as minhas necessidades e os meus caprichos. Actualmente, ocupo-me só dos casos que me interessam.
- O senhor é teimoso! – disse Ratchett. – Não tentam vinte mil dólares?
- Não.
- Se insiste, para obter mais, engana-se. Avalio perfeitamente a importância do que lhe peço.
- Eu também, senhor Ratchett.
- O que é que não lhe agrada na minha proposta?
Poirot levantou-se.
- Desculpe a franqueza, senhor Ratchett. O que não me agrada é a sua fisionomia.
E com estas palavras o belga deixou o salão.

OLHAR AS CAPAS


Estranha Maldição

Dashiell Hammett
Tradução Wilson Velloso
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº 64
Livros do Brasil, Lisboa s/d


Apaguei as luzes do quarto, deixei a porta aberta e sentei-me na escuridão vigiando a porta da jovem e amaldiçoando o mundo. Lembrei-me da história do cego no quarto escuro procurando um chapéu preto que lá não estava e compreendi a sua situação.

ASNEIRA TEM SIDO SEMPRE A MINHA VIDA


A 8 de Setembro de 1961, em S. Domingos de Rana («Sempre S. Domingos, irra!»)
Mário-Henrique volta a escrever a Maria Isabel, e lá para o fim da carta, declara o facto de «começo a gostar de si. Isto, Isabel, é uma coisa que me parece não dever ocultar-lhe, senão seria desonesto comigo mesmo.»

Cheguei há pouco de Lisboa e, a esta hora quase matinal de solidão, entendi que só aqui, nesta casa que já não é, poderia ficar e para aqui vim. Andei a vaguear entre o Marquês de Pombal e o querido D. Pedro V, entre a asneira ditatorial e a cretinice constitucional. Claro que, contra todas as regras da boa vizinhança, me atirei ao pick-up e fi-lo uivar sovieticamente com as canções do abençoado Exército Vermelho. À minha volta há lixo de cinza e mais cinza, muitos fósforos queimados e um enorme espaço vazio. Porque não vem encher esse espaço com o seu sorriso? Claro que você dará o seu sorriso a quem quiser e só deve dá-lo quando achar que vale a pena. Não faça esmolas com o seu sorriso nem tenha pena de ninguém, nunca tenha dó, que é o pior que se pode ter e o pior que se pode oferecer a alguém.
Isabel, passei o dia a pensar em si e parece-me que isto vai dar asneira comigo mesmo. Se der, ainda bem, que asneira tem sido sempre a minha vida e, apesar de tudo, tenho vivido com força. Estou até convencido que a asneira e o desespero são o potencial que me há-de levar a encontrar finalmente aquilo que procuro. Portanto, abramos os braços à asneira e à certeza dela. Isabel, amar é asneira para os lógicos calculistas, abandonar as pantufas e trocá-las por um saco de 2caçador da vida” é asneira para os mesmos lógicos. Tudo será asneira, quando queremos conseguir o nosso direito ao amor, à calma e à pouca felicidade que este mundo nos dá. Bem, então para o Inferno com os lógicos e continuemos a olhar o sol bem de frente e a acreditar na manhã.


Legenda: ilustração Shorpy

terça-feira, 12 de setembro de 2017

POSTAIS SEM SELO


Espero que a América sobreviva a Trump.

Paul Auster

OLHAR AS CAPAS


& Etc. – Prolegómenos a uma Editora
Catálogo da Exposição

Coordenação editorial, capa e concepção gráfica: Paulo da Costa Domingos
Autores de textos e imagens:
Alberto Pimenta, Almeida Faria, Carlos Ferreiro, Inês Dias, João E. Cutileiro, Jorge Silva Melo, Maria Inês Cordeiro, Paulo da Costa Domingos, Ricardo Álvaro, Telma Rodrigues, Vitor Silva Tavares
Livraria Letra Livre, Biblioteca Nacional, Lisboa. Fevereiro de 2017

Vitor Silva Tavares foi um Homem raro. Genuíno, naturalmente vertical, lúcido, felino, livre-livre como um pardal-de-telhado que transporta a Liberdade no voo, Senhor de uma «grande razão» e de uma sabedoria e dimensão existencial para além das medidas curtas desta mesquinha alfaiataria humana, certo até à medula da sua altitude e profundidade. Vitor Silva Tavares despediu-se deste mundo e já não mora aqui. O editor-poeta da nossa Legião dos Únicos, dos «últimos dos últimos», viaja na sua Automotora a caminho do Fundão, da «chafarica», Pasárgada, & et. Obrigado por esta boleia generosa e atá à próxima estação.

(Do texto de Ricardo Álavro)

ESTADO DA NAÇÃO NO TEMPO DE BUSH


Lembro-me de trabalhar numa grande parte do Magic no meu escritório em Ramson, mas, agora, tendia a escrever em qualquer sítio e em qualquer momento. Já não esperava, como no passado, as digressões da composição. Muitas vezes escrevei no meu camarim antes do concerto; ou depois – no meu quarto de hotel. Tornou-se um método de meditação no início de uma noite agitada.
Em silêncio, perdido nos meus pensamentos, viajei até sítios onde nunca estivera, vi através dos olhos de quem nunca conhecera e revivi os sonhos de refugiados e forasteiros. Esses sonhos eram, de algum modo, também os meus. Sentia os seus receios, as suas esperanças, os seus desejos, e, quando estes eram bons, descolava do meu buraco no hotel e dava por mim de volta a uma estrada metafísisca em busca da vida e do rock ‘n’roll. O Magic foi a minha crítica ao estado da nação em tempo de guerra no Iraque e aos anos da presidência de Bush.
Contudo, no Magic apontei em todas as direcções, para que as partes política e pessoal se misturassem. Pode ouvir-se todo o álbum sem nunca se pensar na política actual, ou, em alternativa, pode-se senti-la por entre a costura interna da música, na sua batida mortiça.

Bruce Springsteen em Born to Run

    
 

OLHARES


O Benfica inicia hoje a sua participação na «Champions».
O começo da época não tem sido famosa, mas eu acredito sempre.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

POSTAIS SEM SELO


Posso viver sem filmes mas não consigo viver sem livros.

Luís Filipe Rocha

EPHEMERA


Em Outubro, começará a ser transmitido na TVI 24, com periodicidade semanal,  «Ephemera», um programa de José Pacheco Pereira, a partir da vastíssima colecção de objectos, documentos, jornais e livros que estão guardados no Arquivo-Biblioteca que o autor possui na Marmeleira.
A «Ephemera» recolhe, trata, inventaria, divulga materiais sobre a história cultural, social, económica e política de Portugal e internacional. Para além das instalações na Marmeleira tem pontos de recolha e de trabalho em Lisboa (Livraria Ler Devagar, na LX Factory), no Porto (numa sala cedida pelo Instituto de Investigação em Design, Media e Cultura da Universidade do Porto, e na galeria Mira Forum), em Torres Vedras e em Viana do Castelo (no Café Girassol e numa sala da Associação de Comerciantes).

OLHAR AS CAPAS



Entrefitas e Entretelas

Pedro Bandeira Freire
Capa: Luís Miguel Castro
Guerra e Paz Editores, Lisboa, Abril de 2007

Olhando para trás, e agora não posso deixar de o fazer, porque com maior obstinação vejo um túnel ao fim da luz, reconheço que tive uma existência encantada, no sentido que se dá às dos contos de fadas. Fui tocado muitas vezes pela varinha mágica com tudo o que isso possa significar de maravilhosos. Fiz obra, despontei um filho, escrevi algumas árvores e plantei vários livros, imaginei uns filmes e muitos fazem parte do meu imaginário, espaireci na rádio e na televisão, andei por esse mundo fora, fiz tudo para pintar a manta e o diabo a quatro e sete.
Tudo isto me submerge numa grande emoção e num sincero sentimento de gratidão que tenho perante a vida.
Tudo acaba? Pois acaba! E daí…

E DE MANHÃ ACORDO


Meus inimigos
contra mim 
se desesperam.

Dizem:
- Já não tem salvação.

Entretanto
deito-me à noite e de manhã acordo.
Que desça sobre mim a doce bênção.

Mário Castrim em Do Livro dos Salmos

Legenda: desenho de Rogério Ribeiro

domingo, 10 de setembro de 2017

POSTAIS SEM SELO


As relações do homem com o livro vão, desde a indiferença, passando pelo amor e podendo chegar até ao ódio. Por mais estranho que pareça, há pessoas para quem o livro é, de todo, indiferente: há lares onde não se vê um único livro. Sim, há quem de todo não leia. A família real inglesa, por exemplo, é notoriamente conhecida como amando imenso os cavalos mas sendo, completamente, indiferente aos livros.

Eugénio Lisboa na revista Ler, Verão 2017

O RÁDIO ESTAVA SEMPRE NA COZINHA


Na casa que ficava em Audubon Place, o rádio estava sempre na cozinha e continuamente sintonizado na WWOZ, a grande estação de Nova Orleães que passa basicamente blues e rural gospel do Sul. O meu DJ favorito era sem dúvida a Brwon Sugar, uma disco jockey. Estava no turno da noite, passava os discos de Wyonic Harris, Roy Brwon, Ivory Joe, Little Walter, Lighttnin’ Hptkins, Chuck Willis, os que eram bons. Fazia-me muita compnhia quando já todos estavam a dormir. Brown Sugar, quem que ela fosse, tinha uma voz grossa, lenta, sonhadora, melosa – potente como um búfalo – divagava pela noite dentro, atendia as chamadas telefónicas, dava conselhos amorosos e punha discos a girar. Pus-me a pensar que idade teria. Se saberia que a sua voz me apaixonara, me enchera de paz interior e serenidade e acabara com a minha frustração. Era relaxante ouvir a sua voz. Ficava vidrado no rádio. Conseguia captar todas as palavras ditas por ela. Gostava de poder ter estado de corpo inteiro onde quer que ela estivesse.
A WWOZ era o tipo de estação que eu costumava ouvir à noite até tarde, e recordou-me os dissabores da minha juventude mergulhando-me nela. Nessas alturas, quando algo corria mal a rádio podia confortar-nos e deixar-nos bem. Havia também uma estação de rádio country, que bem mais cedo, antes do dia nascer, passava todas as canções dos anos 50, muito material western swing – ritmos clip clop, canções como «Jingle, Jangle, Jingle», «Under the Double Eafle», «There’s a New Moon over My Shoulder», a «Deck of Cards», de Tex Ritter, que eu já não ouvia há pelo menos trinta anos e as músicas de Red Foley.

Bob Dylan em Crónicas

Legenda: Brown Sugar e Dwayne Breashears na WWOZ.



OLHAR AS CAPAS


Os Mortos Podem Voltar

H.P. Lovecraft
Tradução: Silas Cerqueira
Capa: Cândido Costa Pinto
Colecção Vampiro nº  103
Livros do Brasil, Lisboa s/d

As lendas confusas que Ward ouvira ou descobrira acerca de Joseph Curwen mostravam-no como um indivíduo verdadeiramente espantosos, enigmático e obscuramente horrível. Tinha fugido de Salem para Providence – abrigo universal dos excêntricos, dos livre-pensadores e dos dissidentes – no início da perseguição histérica aos suspeitos de magia, receosos pela sorte que lhe podiam trazer os seus modos solitários e estranhas experiências de química ou alquimia. Era um homem pálido, cerca de trinta anos, e em breve foi aceite como cidadão de Providence, comprando depois disso terreno para uma casa logo ao norte de Gregory Dexter, à entrada da rua Olney. Construiu a casa no Monte Stampers, a oeste da rua Olney, onde veio a ser mais tarde o Pátio Olney. Em 1761 deitou-a abaixo e fez no mesmo lugar outra maior, que ainda lá está.
Uma das primeiras razões porque Joseph Curwen começou a parecer esquisito foi que não mostrava ter envelhecido nada desde que chegara. Meteu-se no comércio marítimo, adquiriu direitos de cais junto da enseada de Mile-End, ajudou a reconstruir a Ponte Grande em 1713 e a Igreja Congregacional na colina, mas conservou sempre o aspecto apagado de um homem de pouco mais de trinta ou trinta e cinco anos.

DITOS & REDITOS


Depressa e bem não há quem.

Divagar é viver devagar.

Antes pobre e direito do que rico e curvo.

A fome é o motor do engenho humano.

O que está feito, feito está.

É uma sorte poder-se escolher.

Não bebas as palavras do texto. Prefere um copo de água.

Andar de Metro. De metro em metro percorrem-se quilómetros. 

sábado, 9 de setembro de 2017

POSTAIS SEM SELO


O que faz o homem de génio… não são as ideias novas, é essa ideia, de que o possui, de que tudo o que está dito não o está ainda bastante.

Eugène Delacroix

Legenda: Eugène Delacroix