sábado, 25 de fevereiro de 2017

PALAVRAS CRUZADAS


Rómulo Vasco da Gama Carvalho gostava muito de fazer palavras cruzadas, daquelas sem quadradinhos pretos e também das outras. Gostava também de hieróglifos comprimidos. Deve ter sido das primeiras coisa que me ensinou. A fazer palavras cruzadas.
Tinha sempre na carteira de bolso um ou dois recortes do jornal Diário de Notícias ou do Diário de Lisboa com as tais palavras cruzadas. Toda a vida vi-o a fazer isto. Era quase como um comprimido para o cérebro. Dizia ele que era um ótimo exercício cerebral!
Coisas simples!
Começava por ler o jornal – colocava-o em cima do armário – e lia. Com pormenor, as notícias principais, os anúncios, sem nunca perder de vista a necrologia. A necrologia era a última secção do jornal a ser lida mas era lida com muito interesse e muitas vezes comentada «Olha, lá se foi o senhor tal e tal ou a senhora tal e tal!» ou então «Coitado! Andei com ele na escola… Um grande patife!»
Ou «Há sempre quem vá e não volte nunca mais!»

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